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Fev
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Memorial do Convento, capítulo XVI

O capítulo XVI começa por criticar a governação e a justiça no reino, dizendo-se que quem tem dinheiro acaba sempre por ser ilibado dos crimes que comete e todos aqueles que nada têm acabam sempre por ser condenados.

De seguida, é-nos afirmado que não ter-se-á feita justiça quando o barco em que D. Francisco e D. Miguel, ambos irmãos do rei D. João V, naufragou, devido a ventos fortes, enquanto estes regressavam de um dia de caça, porque D. Francisco tinha más intenções por querer “desencaminhar a rainha, cobiçar o trono de el-rei, dar tiros em marinheiros”.
Seguidamente, o rei acaba por perder duas casas para o duque de Aveiro, incluindo a quinta de S. Sebastião da Pedreira, onde estava a “Passarola”, processo que já se arrastava em tribunal há cerca de oitenta anos. Entretanto, ao mesmo tempo que tal se verificava, a máquina ficou finalmente pronta. No entanto,  o padre Bartolomeu Lourenço mostrou-se indeciso em relação ao que fazer depois de toda esta aventura terminar. Por outro lado, Blimunda e Baltasar estavam preocupados, pois sabiam que não tardaria que os trabalhadores do duque de Aveiro tomassem as suas posições na quinta. E preocupado estava também o padre, mas este em relação ao Santo Ofício, porque, aos olhos do mesmo, a máquina voadora era algo condenável por nela existir “arte demoníaca” e também por conter vontades humanas. O que acabou por se confirmar. Já Setembro ia a meio, quando o Santo Ofício começou a procurar o padre. Os três ficaram sem saber o que fazer: Blimunda e Baltasar pensaram em regressar a Mafra, mas o padre não concordou e achou melhor que fugissem na “Passarola”. Não demorou que tratassem dos acabamentos da máquina e dos preparativos da viagem. Deixaram para trás o cravo do senhor Domenico Scarlatti, destruíram a abegoaria e levantaram voo.

Já no alto, estavam todos deslumbrados com a vista da cidade de Lisboa e muito entusiasmados. Todavia, durante a viagem, surgiram várias adversidades devido ao vento, que ameaçava fazer a máquina cair. Para além disso, os três sabem que, quando “o sol se puser, descerá irremediavelmente a máquina” e “talvez caia, talvez se despedace e todos morrerão”. Contudo, Baltasar começa a avistar Mafra, passam as obras do convento que el-rei mandara construir e muitos são aqueles que ficam pasmados ao ver a máquina no ar; assim, acabam por aterrar sem ferimentos em terra firme, quando a noite já estava prestes a cair sobre a vila. No entanto, não sabiam ao certo onde estavam e encontravam-se muito exaltados, pois tinham passado muitos perigos nas últimas horas, ao sobrevoarem Portugal. O padre mostrava-se desanimado e achava que, mais cedo ou mais tarde, o Santo Ofício iria acabar por encontrá-lo;  já o casal estava confiante e pretendia seguir viagem na “Passarola” na manhã seguinte.

No entanto, o padre Bartolomeu Lourenço parecia doente e, subitamente, ateou fogo à máquina, sendo, de imediato, interrompido por Blimunda e Baltasar, que tentavam apagar o fogo e impedir o padre de cometer tal loucura. Conseguiram salvar a passarola, mas o padre, entretanto desapareceu. Na manhã seguinte, Sete-Luas e Sete-Sóis percorreram a serra onde se encontravam em busca do padre, porém não foram bem sucedidos, ainda que, durante o percurso, tenham encontrado um pastor que os informou estarem na Serra do Barregudo. Continuaram viagem até Mafra, o que lhes custou dois dias, e seguiram em procissão pelas ruas da vila.

Helena Gaspar


2 Responses to “Memorial do Convento, capítulo XVI”


  1. Março 7, 2010 às 10:49 pm

    Xana !! O teu nome por aqui??!!!

    Então, amiga? É o Luís, não é??
    Só estranhei ver o nome da avó. Mas se pensar um pouco, descubro.
    Dá uma ajuda nos estudos, não é?

    Adorei encontrar-vos aqui!! Nunca tal me aconteceu!

    Beijinhos e bons estudos! RoSa


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